Técnicos
de informática e médicos são, em diversos aspectos, profissionais parecidos.
Não que ambos tenham a mesma responsabilidade - vidas jamais valerão menos
que bytes - mas a resolução de problemas, seja de saúde ou de tecnologia,
traça caminhos semelhantes. Principalmente quando o assunto é vírus. Assim
como muitas consultas médicas findam com o veredicto "essa é uma virose
que tem atacado", muitos donos de computadores ouvem "foi um vírus
que fez isso no sistema" antes de começarem a ser medicados para a eliminação
do organismo invasor. Por
sorte nossa - ou pela nossa infindável ignorância, comparando-nos com a bela
evolução natural - os vírus de computador são diversas ordens de grandeza
mais fáceis de serem removidos dos nossos sistemas. A partir de agora você
vai saber como os 'doutores digitais', também conhecidos como anti-vírus,
trabalham na identificação e remoção destas pragas.
Rastreamento
Programas são construídos reunindo-se vários comandos com um determinado objetivo,
fazendo com que o computador execute as tarefas desejadas. Estes comandos,
quando transformados em "linguagem de máquina", ou seja, traduzidos
para códigos binários que o computador entende, formam uma longa linha de
0's e 1's que são sempre diferentes de um programa para o outro - se diferem
exatamente porque cada programa tem um objetivo, para o qual é usada uma série
de instruções diferentes escolhidas pelo seu programador.
Um
vírus é um programa, logo, o vírus possui comandos. Esta série de comandos
pode ser diferenciada através da mesma técnica descrita acima, já que ela
forma uma "assinatura" no interior do programa, peculiar a cada
conjunto de instruções. Identificar uma estrutura única de instruções é o
equivalente, na biologia, a mapear o DNA de um organismo.
Com
base neste fato, qual seria a melhor maneira de se identificar um vírus no
meio de tantos outros arquivos dentro de um computador? Catalogar todos os
vírus que existem no mundo (com suas respectivas "assinaturas")
e abrir todos os arquivos do computador para comparar cada trecho do programa
com cada uma das assinaturas dos vírus catalogados.
Pois
é exatamente isso que os anti-vírus fazem. Como se pode perceber, o anti-vírus
só vai encontrar no computador os vírus que já tenham sua assinatura conhecida.
É como se o vírus tivesse a "ficha suja na polícia". Os laboratórios
que criam os anti-vírus passam dia e noite identificando novos vírus e adicionando
suas assinaturas na base de dados que é consultada pelo anti-vírus na hora
da comparação.
Este
é o principal motivo de preocupação quando se é feita a recomendação: "atualizar
o anti-vírus". É preciso fazer com que seu anti-vírus seja alimentado
com as últimas informações sobre os últimos vírus descobertos no mundo. Só
assim ele poderá reconhecer qualquer vírus que esteja tentando entrar no seu
computador.
Monitoração
Uma
outra técnica de prevenção é monitorar as atividades dos programas, identificando
atitudes suspeitas e bloqueando suas ações até que seja verificado se aquela
ação é realmente legítima ou necessária para algum funcionamento específico
de um software.
Como
exemplo de ações que são geralmente suspeitas, estão as que dão instruções
ao computador para que um determinado trecho de memória seja ignorado em uma
eventual varredura ou as instruções que anexam um programa ao final de outro.
Que tipo de software faria uma coisa dessas? Anti-vírus espertos percebem
isso e avisam que há algo de estranho acontecendo.
Ações
de rastreamento ou monitoração que se baseiam em aparências são chamados de
"modos heurísticos". É como se você deduzisse que está chovendo
só porque vê água caindo no chão. Isto pode provocar falsos-positivos,
promovendo alertas ou bloqueios em programas comuns, mas é um método avançado
de detecção para ajudar a identificar vírus que ainda não foram catalogados.
Remoção
Pronto,
o vírus foi encontrado. E agora? Basta desfazer o que ele fez. A contaminação
é geralmente feita da seguinte forma: o vírus identifica um programa qualquer
no computador e se anexa ao final dele, em um local onde não irá atrapalhar
seu funcionamento (afinal, o vírus não quer que você suspeite da sua existência).
Após se anexar, ele adiciona uma pequena instrução no início do programa que
faz o computador dar um "salto" para o final, executar o vírus e,
em seguida, voltar para o começo e continuar executando o programa como se
nada tivesse acontecido.
Nestes
casos, a remoção do vírus é simples e basta tirar estes trechos adicionais
para que o programa fique novo em folha. Entretanto, nem todos os vírus são
bonzinhos assim. Alguns, quando infectam, sobrescrevem parte do programa
original e, ao serem removidos, deixam um "buraco", fazendo
com que o software não funcione mais. Por este motivo, os anti-vírus, quando
encontram estas pestes, sugerem que você apague o arquivo inteiro. Só reinstalando
o programa ou copiando novamente o arquivo original - limpo e inteiro - de
um outro lugar para que tudo volte a funcionar normalmente.
Vacina
Quem
não gosta de esperar para ver, vacine-se! Alguns anti-vírus usam as mesmas
técnicas dos vírus para "contaminar" seus lugares preferidos com
instruções inofensivas. Assim, quando um vírus tentar se infiltrar no sistema,
seu espaço já estará ocupado. Este tipo de vacina tem uma ação muito limitada,
pois os vírus geralmente usam várias técnicas de infecção ao mesmo tempo.
Um
outro método bastante utilizado é o de "tirar uma foto" do sistema
de arquivos do computador. Com ela, pode-se comparar, de tempos em tempos,
se algo foi modificado, principalmente os arquivos de programas que geralmente
ficam diferentes depois de contaminados por um vírus.
Recomendações
Manter-se
afastado de vírus é fácil, basta não usar o computador. Nos outros casos,
precisamos ter um pouco mais de cuidado. Principalmente com os arquivos que
recebemos. Ter um anti-vírus instalado e funcionando hoje é imprescindível.
Além disso, atente-se para as seguintes recomendações:
-
Por questão de performance, os anti-vírus não saem de fábrica configurados
para pesquisar todos os arquivos do computador o tempo todo. Entretanto, a
falta de velocidade não causa um impacto maior do que a perda de arquivos.
Muitos vírus novos tem aparecido com extensões diferentes das que são geralmente
monitoradas (COM, EXE, DLL), fazendo passar para a lista de arquivos perigosos
os com extensão SCR, PIF, VBS, etc. Sempre que possível, marque a opção "Scan
all files" (ou semelhante) na configuração do seu anti-vírus.
-
Os anti-vírus mais atuais possuem mecanismos que os atualizam automaticamente,
buscando no site do fabricante as assinaturas dos vírus descobertos mais recentemente.
Com a propagação de vírus acelerada pela Internet, especialmente pelo email,
um vírus pode alcançar computadores em todos os cantos do planeta em poucas
horas, dependendo da facilidade com que ele infecte os sistemas. Sempre
que possível, configure seu anti-vírus para baixar versões novas da base de
assinaturas a cada 3 ou 4 dias.
Seguindo
estas dicas, você estará bem protegido. Na próxima vez em que ouvir falar
de vírus, você provavelmente receberá apenas a recomendação do ácido ascórbico
- vitamina C e cama.
Saúde!